Draw everywhere, and all the time. An artist is a sketchbook with a person attached.
Irwin Greenberg





2008-09-19

Viagem Maio/Junho - Castelos cátaros


Já tinha visitado, num dia, três castelos cátaros, há uns anos atrás, mas estas fortalezas da vertigem sempre me atrairam assim como essa época histórica de fé e guerra. Quando olho à minha volta sinto que em nada aprendemos com a História.

Deixo aqui os que registei no meu caderno de viagens. Fiz vários outros esquemas que penso acabar ou a partir deles fazer algumas aguarelas. Estes foram os feitos no local com o tempo sempre muito escasso.




O impressionante castelo de Peyrepertuse, extenso e composto por duas partes distintas e muito em ruínas. Difícil de visitar sobretudo para quem, como eu, tem vertigens. Apenas visitei uma das partes, a mais acessível. Felizmente vejo bem ao longe e pude ter uma percepção de todo aquele local. Tal como achei da primeira vez, este e o de Quéribus (dele fiz uma aguarela no local que hei-de colocar aqui) tinham as suas torres de maneira a poderem comunicar entre si; se não for verdade eu gosto de acreditar que assim é. A composição da direita foi a possível do local onde deixámos o carro. A outra é um desenho de uma janela do interior

Left - An interior window.
Right - An watercolour from the Cathat Castle of Peyrepertuse.





Um rápido esboço feito da terra que fica no sopé do monte onde está incrustado o castelo - Duilhac-sous-Peyrepertuse.

A quick sketche from the nearby village - Duilhac-sous-Peyrepertuse.





Duas das quatro torres que compõem o castelo de Lastours. Esta aguarela, muito mal feita, foi pintada em pé junto ao carro enquanto discutíamos se o visitaríamos ou não atendendo à hora e ao que ainda queríamos ver. Se há coisa que detesto é desenhar ou aguarelar enquanto falo. Talvez por isso goste sempre muito destes cadernos porque sinto ainda o que vivi em cada local.

Two of the four tours of the Castle of Lastours.




O castelo de Montségur sobre o impressionante monte a que os franceses chamam "pog".

Montsegur's Castle.





O Castelo de Arques fica no caminho dos castelos cátaros mas serviu apenas como residência e está demasiado recuperado. Contudo, foi uma benção passar por lá pois eram horas de almoço e o que encontramos na terra não só era caro como demasiado turístico, o que detesto em França. Como íamos seguir para outros castelos fomos andando, sempre com medo das horas pois, no interior, os franceses almoçam cedo. A certa altura vimos numa pequena povoação a indicação dum restaurante que se chamava Chez Divine; como a fome apertasse avançámos cientes de que talvez fôssemos enfiar um grande barrete. Era mesmo divino. Frequentado apenas pelos locais, era uma hospedaria e por 11 euros tivémos direito a entrada (salada com patés caseiros), prato princiapal (variado mas bom), queijo (uma tábua de queijo para nos servirmos à vontade), doce (no meu caso uma bela tarte de maçã), vinho ou outra bebida e café. Quantidade abundante, diria mesmo demasiada, serviço impecável e muito atencioso. Mais comentários para quê?

Arques' Castle.


8 comentários:

Quase Blog da Li disse...

Belos registros de viagem.
Especialmente o "pog".

e.s. disse...

Boa descrição. A Europa está impossível. Está cheia de turistas durante todo o ano. O desenho exige concentração, é por isso que também não gosto de falar enquanto desenho.

argumentonio disse...

fantásticas ilustrações e descrições das "viagens" que sempre constituem cada viagem!

a expressão "demasiado" recuperado (Arques) entende-se mas esconde um conteúdo positivo fundamental, raro e por vezes até injustamente desvalorizado: conservado!!

dá gosto sorver este blog !!!

Galeota disse...

Que miradas!

Bhixma disse...

Excelente reportagem ( e excelentes desenhos).
Há alguns sinais nas zonas cátaras de akguma revitalização daquela religião cristã?

addiragram disse...

Como eu gostava de ter esse teu dom de desenhar e de "aguarelar"!Fica o desafio para a viagem!

Cleopatra disse...

E as muralhas de Carcassone??
Vistas de manhã, em dia nevoento, olhadas ao fim da tarde com o sol em cheio...

Ronaldo de Oliveira disse...

Oi Helena....realmente esta região é mágica e linda. Tenho como projeto de vida morar em Languedoc. Estou estudando para descobrir em que lugar vou me estabelecer. A título de enriquecer mais sobre a região, a palavra "pog" é uma forma derivada do occitano, "pech", do latim "podium", com o significado de "eminência", para designar a montanha no formato de um pão de açúcar de Montségur. Esta versão passou a ser, desde então, comumente admitida, mas exclusivamente no caso de Montségur. bjinhoss